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Remoção de glifosato de águas destinadas ao abastecimento público na etapa de coagulação e floculação com sulfato de alumínio ferroso e policloreto de alumínio

Resumo

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados atualmente na agricultura, porém seu uso pode contaminar recursos hídricos utilizados para o consumo humano. Portanto, estuda-se a remoção deste composto de águas destinadas ao abastecimento público na etapa de coagulação e floculação com sulfato de alumínio ferroso e policloreto de alumínio (PAC). Realizou-se oito ensaios de coagulação e floculação em jar test nas concentrações 5,0, 11,0, 16,5, 22,0, 33,0 e 44,0mg.L-1 de sulfato de alumínio ferroso comercial e 0,05, 0,18 e 0,30mg.L-1 de PAC em dois intervalos de pH, sendo eles 6,8 a 7,3 e 8,0 a 8,5. Utilizando somente sulfato de alumínio ferroso, os melhores resultados de remoção encontrados foram no intervalo de pH 8,0 a 8,5 nas concentrações entre 11 a 22mg.L-1, alcançando remoção de 72,9%±0,9%. Com a adição de PAC no intervalo de pH 6,8 a 7,3, as melhores eficiências de remoção foram entre as concentrações de sulfato de alumínio 11 a 44mg.L-1. Para este mesmo intervalo de pH a concentração de PAC que apresentou maior remoção foi de 0,18mg.L-1. No intervalo de pH 8,0 a 8,5, os melhores resultados de remoção foram observados na concentração de PAC 0,05mg.L-1, removendo 87,9%±1,4% de glifosato. Em relação às análises estatísticas observou-se que o pH possui correlação maior que 95% na remoção do composto sendo que a utilização do sulfato de alumínio ferroso e o policloreto de alumínio se mostrou eficiente na remoção de glifosato, principalmente no intervalo de pH 8,0 a 8,5.

Introdução

O glifosato é um dos herbicidas mais utilizados mundialmente em ambientes agrícolas e de paisagismo no combate às plantas daninhas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2015), o glifosato e seus derivados, com exceção do seu Sal de Potássio, estão classificados como classe IV, ou seja, de pouca toxicidade, podendo ser utilizados em várias culturas agrícolas entre elas de feijão, soja, arroz, milho, cana de açúcar e algodão.

A maior concentração de glifosato é encontrada no solo, pois é o primeiro local de contato após a aplicação nas lavouras, porém, estudos mostram que o herbicida pode chegar aos cursos d’água pelos processos de lixiviação e escoamento superficial em que as partículas de solo erodidas carregam o herbicida adsorvido a elas (QUEIROZ et al, 2011). Essa situação é preocupante visto que de acordo com a lei 9433/1997 que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, a gestão dos recursos hídricos deve sempre considerar o uso múltiplo dessas águas, significando que as mesmas podem ser utilizadas para consumo humano.

Devido a isso, a intensa utilização desse herbicida tem provocado inquietações em vários pesquisadores, pois ele apresenta potencial nocivo à saúde humana. Doenças como obesidade, diabetes, depressão, doenças cardíacas, Alzheimer, autismo, infertilidade e até câncer estão na lista de possíveis riscos devido ao contato com o glifosato. (SAMSEL; SNEFF, 2013).

Desta forma, informações sobre a capacidade de remoção desse composto pelas unidades que conformam os sistemas de tratamento de água são de interesse não somente para a área acadêmica, mas também para o grupo técnico responsável pelos projetos e operação das Estações de Tratamento de Água, tendo em vista que não foram encontrados na literatura muitos estudos que englobam a remoção de glifosato na água.

O tratamento convencional nas Estações de Tratamento de Água consiste nas etapas de coagulação/floculação, decantação, filtração e desinfecção. Dentre estes, as etapas de coagulação e floculação tem por finalidade a remoção de matéria sólida em suspensão ou dissolvida na água com a utilização de coagulantes, principalmente sais de alumínio e ferro e polímeros como o policloreto de alumínio e, portanto, poderiam auxiliar na remoção de glifosato devido aos fenômenos envolvidos no processo, visto que estudos realizados em matrizes de solo demonstraram forte adsorção de glifosato pelos íons de alumínio e ferro presentes no mesmo.

Desta forma, o presente trabalho parte da hipótese de que a remoção do glifosato, quando presente em água, poderá ser realizada no processo de coagulação e floculação devido aos sais de ferro e alumínio comumente utilizados. Assim, o presente artigo tem como objetivo avaliar a remoção de glifosato de águas destinadas ao abastecimento público na etapa de coagulação e floculação utilizando como coagulante químico o sulfato de alumínio ferroso e o polímero policloreto de alumínio.

Autores: Ketley Costa Rocha; Julia Thais Bueno Silva e Renata Medici Frayne Cuba.

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Publicado em 11/07/2018 às 11:10:08 - Portal Tratamento de Água


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